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Como a busca pela certeza alimenta a nossa ansiedade

13 de set.
3 min de leitura

Bem-vindo ao meu Blog, seja você meu paciente, colega psicólogo ou quem aterrisou de outra forma por aqui. Se você convive com a sensação constante de que precisa ter todas as respostas antes de dar o próximo passo, eu quero que expire fundo devagarinho e puxe uma cadeira. Vamos conversar com calma (ou não) sobre isso.



1. A busca por segurança


Todos nós chegamos a uma fase da vida adulta em que o planejamento parece ser a principal ferramenta para garantir estabilidade. Organizamos a nossa carreira, cuidamos das finanças, fazemos exames de rotina e estruturamos a rotina familiar em busca de previsibilidade.


No dia a dia, é completamente compreensível querer antecipar cenários. Queremos evitar imprevistos e proteger aquilo que construímos com tanto esforço. Esperamos que, com dedicação e cuidados contínuos, possamos manter as rédeas do que está por vir e tomar decisões sólidas para o futuro.

O problema não é planejar. O problema começa quando essa busca por segurança vira uma exigência inegociável.



2. A necessidade de ter o controle


No consultório, vejo com muita frequência como a ausência de garantias ou certezas passa a ser interpretada pelo nosso cérebro e nossas crenças como uma ameaça iminente.


A intolerância à incerteza nos leva a acreditar que não saber exatamente o que vai acontecer é um preditor de que algo ruim está por vir. Sensações, dificeis de serem explicadas ou nomeadas surgem neste momento. Muitas vezes, nós nem sofremos tanto com os fatos que realmente se concretizam, mas sim com o simples desconforto de não ter certeza absoluta sobre o amanhã.


Para tentar neutralizar essa dúvida, ativamos comportamentos intensos que nos dão trabalho e drenam a nossa energia vital:


  • Ciclos de preocupação e ruminação: usamos os pensamentos e a imaginação para simular catástrofes ou repassar o passado sem parar, em busca de uma explicação lógica.

  • Busca compulsiva por garantias: procuramos confirmação do mundo externa o tempo todo, fazemos checagens repetitivas ou monitoramos detalhes minuciosos para ter a certeza de que tudo sairá bem.

  • Postura de maximizador: adotamos a crença de que precisamos encontrar a decisão “perfeita” e sem riscos, o que acaba gerando procrastinação.

  • Esquiva: nos afastamos de projetos, relacionamentos e oportunidades simplesmente porque o resultado final não traz garantias prévias.



3. Uma pergunta a se fazer


Percebe o engodo? Quanto mais tentamos controlar o incontrolável, mais inseguros nos sentimos. Diante disso, a questão fundamental que precisamos enfrentar é:


como podemos romper esse ciclo de busca exaustiva por garantias e continuar nos movimentando, mesmo diante da inevitável dúvida sobre o futuro?


4. Quatro práticas para lidar com a incerteza


A mudança começa quando alteramos a forma como nos relacionamos com a ambiguidade da vida:


1. Pratique a aceitação da dúvida

Em vez de responder ao desconforto com checagens repetitivas ou ansiedade desenfreada, o caminho é reconhecer o limite do nosso controle. Experimente dizer a si mesmo:


"Eu não consigo ter 100% de certeza sobre isso agora, e está tudo bem conviver com essa dúvida por enquanto."

2. Avalie o custo da busca pela certeza

Pergunte-se com honestidade: quanto custa tentar controlar tudo? Exigir garantias absolutas pode esgotar a sua energia física e emocional, alimentando a ansiedade no longo prazo.


3. Troque a perfeição pelo "suficientemente bom"

Toda e qualquer escolha envolve ganhos e perdas. Em vez de paralisar tentando encontrar a opção perfeita que não existe, aprenda a escolher a melhor alternativa disponível hoje, aceitando os seus riscos inerentes e os limites do tempo. Viver implica em errar, acertar, escolhas melhores e piores. Se movimentar com flexibilidade psicológica preservará sua saúde mental.


4. Movimente-se ao ritmo dos seus e não pela necessidade de controle

Quando a vontade de prever o futuro bater à porta, devolva com uma pergunta prática:


"O que eu posso fazer de significativo e construtivo hoje em direção ao que importa para mim, mesmo carregando o desconforto de não saber o futuro?"

Caminhar com a dúvida presente é exatamente o que exercita a autonomia, a responsabilidade e o movimento em direção vida que deseja construir.


Pensa comigo

Olhando para a sua rotina hoje, em qual área você mais tem sentido essa necessidade de ter 100% de certeza? Partilhe a sua reflexão nos comentários ou guarde essa pergunta com carinho para a sua semana.

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