Por que a vida adulta exige que você aprenda a brincar
- Tatyana Bonamigo | Psicóloga

- 21 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 2 dias
(e por que você provavelmente esqueceu como fazer isso)

Nessa minha vida e na profissão já conversei com muita gente. Centenas de pessoas com histórias, dores e caminhos muito diferentes. Mas, por trás de tanta diversidade, um elemento me chama atenção:
um histórico onde a espontaneidade foi podada antes mesmo de criar raiz.
Encontrei muitos adultos que nunca puderam ser crianças. Foram lançados precocemente em um mar de exigências, sem colete salva-vidas, sem preparo emocional e neuropsicológico para o peso que precisaram carregar. Não houve espaço para o brincar, para o desenvolvimento adequado das funções cognitivas e, principalmente, para a nutrir uma necessidade emocional primordial: a espontaneidade.
Você se engana se acha que espontaneidade é só "ser engraçado" ou "fazer palhaçada". Espontaneidade também é a audácia de entender a vida como um leque de possibilidades, e não apenas como uma planilha de calculo de riscos.
Não estranho que os consultórios estejam lotados de queixas de ansiedade. O que é a ansiedade, senão uma tentativa rígida de controlar o incontrolável? Ela é o resultado de uma estratégia que usamos para não nos sentirmos expostos à vida e seus riscos.
Muitas pessoas me perguntam: "Taty, como eu posso ser mais espontânea se passei a vida toda aprendendo a ser séria, controlada e a evitar o julgamento?". Especialmente na nossa região (sul do país), com um histórico de práticas parentais que priorizaram a punição e a restrição e a falta do lúdico.
A boa notícia é que a espontaneidade é como um músculo. Sim, é academia. É musculação psicológica. Não vai acontecer de um dia para o outro, mas pode ser exercitado na vida adulta. Se Aqui está o treino básico para você começar a desativar esse sensor de julgamento interno:
1. O treino das decisões "sem planilha"
Você que planeja até o batimento cardíaco, tente o oposto. Tome uma decisão rápida hoje. Mude a rota, tome um café sem ter marcado, escolha o caminho mais longo só porque a luz estava bonita. O tribunal de julgamento e deliberação que mora dentro da tua cabeça vai reclamar? Vai. Deixe ele falar sozinho. A organização é importante para o funcionamento, mas a vida também exige flexibilidade e "molejo na cintura".
2. A prática da inutilidade absoluta
Priorize algo que não sirva para nada, que não tenha absolutamente nenhum objetivo de desempenho ou utilidade. Se você sente que está "perdendo tempo", parabéns, está no caminho certo. Jogue algo só por jogar, ouça música, dance. A ideia é liberar a autocobrança pelo resultado perfeito.
3. Liberar as emoções agradáveis de sentir
Muitas vezes, a inibição emocional é uma barreira de proteção. Brincar com um animal de estimação ou com uma criança é um exercício de se permitir vivenciar emoções do leque do alegria. Você pode achar que está se "infantilizando" ou sendo inadequado, mas como seres humanos precisamos de espaço para o lúdico se quisermos ser mais funcionais e saudáveis.
4. Dando limite para a voz crítica
Sua autocrítica é uma voz poderosa e forte, mas ela não é a dona da verdade. Quando ela disser que você está sendo "bobo" por querer ser feliz, responda com sua voz sábia. Valide sua alegria. A felicidade é uma ótima sensação, e ela não precisa de um "porquê" para existir, lute por ela.
Aprender a ser espontâneo é um exercício de coragem, gaste suas calorias nisso. Entenda que você não precisa ser perfeito o tempo todo. Você só precisa aprender a não dar tanto espaço e poder para a sua voz crítica.


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