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Por que você se culpa por esquecer? A Neurociência por trás do TDAH e da Menopausa

Atualizado: 14 de fev.

Sabe aquele momento em que a vida parece te cobrar uma perfeição que o seu cérebro, simplesmente, não consegue entregar? Seja pelo TDAH, pelas flutuações da menopausa ou qualquer outra condição médica, o esquecimento surge como um intruso. E logo atrás dele, vem o carrasco: a culpa.



A culpa e a vergonha não nascem do nada, elas nascem da interpretação equivocada, e muitas vezes cruel, dos sintomas. O mundo olha para o seu esquecimento e diz "falta de interesse". Você olha para o espelho e diz "falta de competência". Lidar com isso exige uma abordagem que combine a compreensão neurobiológica com a lucidez da autocompaixão.



1. O esquecimento considerado como uma falha moral


A vergonha nasce do estigma de que o erro é fruto de "preguiça". É preciso ter a flexibilidade para considerar a validação neurobiológica.


O TDAH é um transtorno do desenvolvimento com prejuízos nas funções executivas, especificamente na memória de trabalho e no controle inibitório. Entenda: o esquecimento não é uma decisão da sua escolha consciente, é uma falha no sistema de "arquivamento" e "recuperação" de dados do seu cérebro.


A marca do TDAH é a inconsistência. O fato de você lembrar algo hoje e esquecer amanhã não é porque você "não se importa", é porque a sua regulação da atenção é variável.



2. O embate com o carrasco


A Psicologia não é "pensamento positivo" bonitinho e fofinho, é o desenvolvimento da sabedoria para identificar distorções cognitivas. Quando você esquece e diz "sou um desastre", você está sendo um péssimo observador da realidade, cometendo uma personalização e uma generalização grosseiras.


Substitua o chicote pelo exercício:

  • Pensamento: "Esqueci de pagar a terapia, sou um desastre."

  • Resposta Adaptativa: "Eu tenho uma dificuldade técnica com a memória prospectiva (a habilidade de lembrar de ações no futuro). Isso não define minha dignidade. Vou usar um alarme."


O perfeito é inimigo do bom. O objetivo aqui é o manejo, não a "santidade da perfeição absoluta".



3. Mindfulness: a observação do orgulho ferido


O Mindfulness (atenção plena) serve para você olhar para a vergonha sem se afogar nela. É a regulação emocional em movimento.


Técnicas de mindfulness te ensinam a notar o surgimento da culpa ("Estou sentindo vergonha agora") sem se fundir a ela ("Eu sou vergonhoso"). Quando o erro acontecer, e você errar o horário de um compromisso com alguém, por exemplo, a instrução é: pare. Faça uma pausa para regulação. A respiração consciente reduz a reatividade da amígdala e impede que você saia correndo para se esconder ou tente "consertar" tudo de forma compulsiva ou impulsiva.




4. Estratégias Externas: "óculos", não "muletas"


Muita gente tem vergonha de usar agenda ou Alexa. "Ah, mas eu deveria lembrar sozinha!". Ora, você teria vergonha de usar uma rampa se estivesse em uma cadeira de rodas?


O uso de planners e assistentes de voz é uma prótese cognitiva. É a externalização da memória. Ao transferir o peso de "lembrar" para um dispositivo, você promove uma redução da carga mental, liberando seu brio e sua energia para o que realmente importa: o atendimento clínico e a vida vivida.



5. Da ruminação para a análise


Quando o esquecimento ocorrer (e ele vai ocorrer, aceite a imperfeição!), não muito da sua finita energia lamentando e se acusando. Use a sabedoria:


  • Reparação Objetiva: em vez de desculpas excessivas que podem te levar a um modo infantilizado, foque na resolução. "Me equivoquei na agenda. Me desculpe, Podemos remarcar?".


  • Análise Funcional sem Julgamento: faça uma análise objetiva. O que causou o erro? Cansaço? Falta de anotação? Transforme a dor da culpa em dados técnicos para melhorar seu sistema.



Resumo para a vida


O objetivo não é ser uma máquina que nunca falha, mas sim uma pessoa que não permite que o esquecimento destrua sua autoestima. A culpa é uma ladra de energia vital, e você precisa dessa energia para se organizar.


Entenda sua "máquina", aceite seu funcionamento e não abra mão da sua dignidade por causa de "uma sinapse que falhou". A vida é agora!

 
 
 

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