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Nova pesquisa sobre antidepressivos e gravidez

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Tatyana Bonamigo

18 de mai. de 2026

Antidepressivos são seguros durante a gravidez e não apresentam risco adicional de autismo ou TDAH em crianças.



Tem um assunto que gera muitas preocupações em muitos casais: o uso de antidepressivos durante a gravidez e se isso tem alguma relação com o autismo ou o TDAH nos filhos. Saíram muitas notícias na mídia, e eu queria explicar para você, o que a ciência mais recente descobriu.


Imagine um estudo gigantesco, que analisou mais de meio milhão de gestações onde as mães usaram antidepressivos e comparou com quase 25 milhões de outras gestações. Pois bem, pesquisadores da Universidade de Hong Kong fizeram exatamente isso e publicaram os resultados agora em maio de 2026.


A conclusão principal é tranquilizadora: o uso dos antidepressivos mais comuns não aumenta o risco de a criança desenvolver autismo ou TDAH.

Quero te explicar como eles chegaram lá, porque o detalhe é importante. No começo da pesquisa, os números pareciam assustar: os dados brutos sugeriam um aumento de 35% no risco de TDAH e 69% de autismo. Mas (e aqui está o "detalhe") quando os cientistas começaram a ajustar a conta, levando em consideração outros fatores como a saúde mental dos pais e a própria genética, esse risco simplesmente desapareceu.


O que isso significa? Significa que não é o remédio em si que causa o problema. O risco "extra" que pareciam ver estava ligado a outros fatores, como a predisposição genética que já existe na família. Para você ter uma ideia, esse pequeno aumento de risco também aparecia nos filhos de pais que tomavam antidepressivos ou de mães que usaram antes da gravidez, mas pararam durante os nove meses. Ou seja: o fator determinante não era o remédio na barriga da mãe.


E tem mais: ao analisar especificamente os ISRS, que são aqueles antidepressivos de primeira linha mais usados hoje em dia, não foi encontrada nenhuma ligação. Alguns medicamentos mais antigos ou usados em casos de depressão muito grave, como a amitriptilina, mostraram um risco nos dados, mas os pesquisadores acreditam que isso acontece porque quem precisa desses remédios geralmente já enfrenta quadros de depressão muito severos, o que por si só já traz outros fatores de confusão para o estudo.


O ponto principal que eu quero que você entenda como Psicóloga é este: não tratar uma depressão moderada ou grave durante a gravidez também é muito arriscado. Existe um risco sério de recaída para a mãe, e o estresse familiar contínuo e o ambiente social também influenciam o desenvolvimento da criança.


Por isso, a conversa com o médico deve ser muito aberta sobre benefícios e riscos. A ciência está nos dizendo agora que, para a maioria das mulheres, o antidepressivo não é o vilão da história quando o assunto é neurodesenvolvimento. O foco deve ser o bem-estar da mãe e da família como um todo.




Principais conclusões

  • O uso de antidepressivos durante a gravidez não parece aumentar o risco de autismo ou TDAH.

  • O risco associado ao uso de antidepressivos diminui após considerar outros fatores de risco, dizem os pesquisadores.

  • A saúde mental dos pais pode ser o maior fator de confusão.




Mais informações

A Johns Hopkins Medicine tem mais informações sobre antidepressivos e gravidez .

FONTES: The Lancet, comunicado de imprensa, 14 de maio de 2026; The Lancet Psychiatry, 14 de maio de 2026

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